O cinema sul-coreano tem uma capacidade peculiar de criar sátiras sociais que tocam em pontos sensíveis do sistema capitalista. 

A Única Saída (2025), de Park Chan-wook, é um desses exemplos. O filme que concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza, tem colecionado indicações para as premiações televisionadas mais hypadas (três no Globo de Ouro e dois no Critics Choice Awards), já apareceu entre os pré-indicados a Melhor Filme Internacional do Oscar e é forte candidato a aparecer entre os cinco finalistas da categoria da premiação que acontece no dia 15 de março.

No longa, uma família de classe média alta entra em colapso após o pai perder o emprego em uma empresa de papel, por causa de uma nova administração americana.

O mestre Park Chan-wook se junta a seu compatriota Bong Joon Ho (Parasita), ao desenvolver um longa que mescla gêneros para expor a crise tardia do capitalismo na Coreia do Sul, um local “símbolo” desse modelo econômico.

Chan-wook consegue fazer uma salada de frutas de temas atuais e espinhosos. Ao mesmo tempo que nos faz rir com diálogos de pesado humor ácido (já presente em sua conhecida “Trilogia da Vingança”), nos emociona e deixa tenso com situações desesperadoras.

Tudo isso alinhado da montagem calculada e da fotografia afiada que, enquanto trazem calmaria, felicidade, melancolia em planos abertos e longos, nos jogam em momentos de questionamento ao que estamos assistindo e à nossa bússola moral.

Aqui vemos a perda do emprego que não resulta apenas na perda de poderio econômico, mas de identidade, de moral e dignidade. É a exposição de um sistema em função do lucro e não do coletivo; que força à competitividade tóxica e ao rompimento total das barreiras morais e éticas.

Ao adentrar o núcleo familiar da história, conseguimos refletir sobre aspectos latentes da sociedade atual. A crise dessa família de classe média aborda temas como a superficialidade das redes sociais, o machismo intrínseco na estrutura patriarcal, os vícios e a dificuldade de lidar com a criança que foge do “padrão” comportamental esperado.

Lee Byung-hun, conhecidíssimo por seu papel como Front Man em Round 6, entrega aqui uma atuação espetacular como o desesperado por emprego, You Man-su. Uma interpretação de subjetividade necessária que sustenta o carisma e a violência, em uma mescla de comicidade e absurdo. A indicação a Melhor Ator – Musical ou Comédia no Globo de Ouro é merecida. Inclusive, acho que até é injusto ele estar correndo tão por fora para uma indicação ao Oscar.

A produção estreia nos cinemas brasileiros no dia 22 de janeiro. Recomendo que assistam. Diverte, questiona e entretém.

Para quem gostar de A Única Saída, deixo como indicação a Trilogia da Vingança, do diretor Park Chan-wook, que mencionei no texto.

Trilogia da Vingança:

– Mr. Vingança (2002)
– Oldboy (2003)
– Lady Vingança (2005)

Descubra mais sobre folhetim carambola

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading