Por Pedro David Moro
Desde segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, tenho acompanhado o fotojornalista Jordyn Alexander Gualdani em sua cobertura das manifestações contra o ICE (Immigration and Customs Enforcement) em Minneapolis, no estado de Minessota, nos Estados Unidos.
Na quinta-feira (22), Jordyn me notificou que acompanharia uma coletiva de imprensa com o vice-presidente dos Estados Unidos, James David Vance. Quando chegou no local, Jordyn me informou que, além do púlpito, haviam viaturas personalizadas para o ICE.

Um dos pontos marcantes da coletiva foi quando o vice-presidente foi questionado sobre a prisão do menino de cinco anos Liam Ramos e seu pai. Desde que a notícia foi divulgada, inclusive pela reportagem do folhetim, a imprensa internacional tem dado atenção ao caso.
Segundo a transmissão oficial da Casa Branca, J.D. Vance afirmou que o episódio envolvendo Liam foi “distorcido pela imprensa”. O vice-presidente disse que o menino teria ficado sozinho porque o pai tentou fugir dos agentes e questionou como os oficiais deveriam agir na situação, sugerindo que deixá-lo desacompanhado seria colocá-lo em risco.
Vance também atacou a cobertura jornalística e autoridades locais de Minnesota, responsabilizando a “imprensa progressista” e gestores que não cooperam com o governo federal pelo clima de tensão em Minneapolis.
Durante a coletiva, o vice-presidente defendeu as ações do ICE em Minnesota e declarou que estão se empenhando para “deixar as ruas mais seguras e tornar a situação menos dramática”. No vídeo que recebi de Jordyn, ele tentou fazer perguntas ao vice-presidente, mas não obteve sucesso.
Na gravação, é possível ouvir Jordyn dizendo “Senhor, vice-presidente, uma pergunta para o Brasil!”, repetidamente durante o final da coletiva. Enquanto Vance caminhava para atrás das cortinas pretas do cenário montado, ele olhou em direção a Jordyn e disse “Brasil? Volta para lá, cara!”. O vídeo pode ser conferido nas redes sociais do folhetim.

Apesar da tentativa frustrada, Jordyn persistiu e, após a coletiva, conseguiu entrevistar Gregory Bovino, chefe da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos. Durante a última semana, vídeos do agente vestindo um longo sobretudo verde , caminhando cercado por um grupo de agentes do ICE, apontando o dedo e gritando sem se dirigir a ninguém em particular, circularam pelas redes sociais.
Usuários traçaram paralelos entre o casaco que ele vestia com o estilo usado por soldados alemães durante a Segunda Guerra Mundial. “Ele adora fazer seu cosplayzinho de oficial da SS. Que perdedor”, escreveu um usuário no Reddit .
A Schutzstaffel (SS) foi uma das principais organizações do regime nazista, criada inicialmente como uma guarda pessoal de Adolf Hitler e que, ao longo dos anos, tornou-se um poderoso instrumento de repressão, controle e extermínio.
Sob o comando de Heinrich Himmler, a SS foi responsável pela administração dos campos de concentração e extermínio, pela perseguição sistemática a judeus, ciganos, pessoas LGBTQIA+, opositores políticos e outros grupos considerados “indesejáveis” pelo regime.
A organização também atuou diretamente em massacres e crimes de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, sendo reconhecida após o conflito como uma organização criminosa devido ao seu papel central no Holocausto e nas atrocidades cometidas pelo nazismo.


Na conversa com Bovino, Jordyn o questionou sobre o fato de alguns pesquisadores brasileiros descreverem o ICE como uma força que atua de maneira semelhante a uma milícia paramilitar, com base em suas táticas e no nível de força empregado nas operações.
Diante dessa caracterização, o fotojornalista perguntou como o governo responde a essas críticas e quais medidas estão sendo adotadas para garantir mecanismos de responsabilização e limites claros para as ações de fiscalização e repressão conduzidas pela agência.
Em resposta, Bovino afirmou que o ICE e todas as agências federais de fiscalização atuam estritamente dentro dos limites da lei federal dos Estados Unidos.
Ele enfatizou que se trata de direito federal doméstico, e não de legislação militar, reforçando que as operações seguem decisões judiciais, determinações legais e princípios que, segundo ele, são legais, éticos e morais. Bovino acrescentou que o cumprimento dessas normas é o que sustenta, em sua visão, um dos melhores sistemas judiciais e de aplicação da lei do mundo.
Depois da coletiva, Jordyn me enviou as fotografias e vídeos que registrou na ocasião. O folhetim segue acompanhando a trajetória do fotojornalista em Minneapolis.
Veja os desdobramentos desta reportagem em nosso site.
